terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Não desistam de mim


Amarga-me na boca, este sabor a dúvida.
Perco-me perante a incerteza, não sei como fazer.
Vagueio, não me encontro. Que é feito dos nobres sentimentos?
Comparo-os a um punhado de areia, quanto mais os aperto para não os perder, mais me fogem por entre os dedos.
Terei perdido a capacidade de me dar? Não quero crer.
Pecebo a barreira, vejo-a com desconcertante clareza, numa atitude incompreensível não a derrubo.
Deixo ficar.
Atónita vejo os que mais quero do lado de lá, meio entorpecida estendo a mão, não sinto apertar!
O que antes era claro, passou a ser uma sombra distorcida.
Tento novo ângulo, para minha infeliz constatação estão todos lá, no ponto onde os perdi.
Não me lembro de quando nem como foi.
Teriam ficado por opção ou por que não a dei?
Urge procurar o que nos tornou assim. Frivola resisto, não o faço.
Deixo que a armadura gasta de outras batalhas se ajuste a mim.
Sem vontade de compreender porque o faço, aguardo que o futuro me revele o que já sei que perdi!
Apetece-me dizer, não desistam de mim!

Vieira MCM

3 comentários:

Sempre disse...

Apraz-me dizer, não desistas de ti NUNCA e quem está do lado de lá (se gosta), está lá SEMPRE. Um bj docinho ;)

Hugo de Macedo disse...

Não desistas de ti e ninguém desistirá de ti também. Acreditar, sempre.

Excelente, este texto.

(Força!)

Luz disse...

É o que tanto queremos, que não desistam de nós, assim como também nós não queremos desistir do quer que seja, de nós, logo, também dos outros que estão do lado de lá, mas também do lado de cá porque é esse o seu lugar em nós.
Desistir nunca, esta é a palavra de ordem! Por isso, força!

Abraço