quarta-feira, 1 de junho de 2011

Rebentos de um Dilúvio

Águas sujas de um dilúvio de raivas escondidas,
Correm como loucas numa torrente devastadora,
Passam além dos limites definidos para o seu curso.
Submergem tudo o que de mais fraco se interpõe em seu caminho.
Seguem frias, indiferentes ao declinio da sua passagem,
Esqueceram elas que um dia a chuva pára, e o seu caudal tornar-se-á diminuto?
O sol brilhará, e, o que outrora tombou, surgirá,
Qual rebento sedento de luz, maior e mais forte se tornará.
Também mais exigente. Esse tipo de águas jamais de alimento lhe servirá.
Não se deixa submergir com a facilidade de outrora.
As gotas cristalinas são o amor com que se fortalecerá.

Vieira MCM

3 comentários:

Hugo de Macedo disse...

Excelente.
Essas águas de raiva têm um tempo de vida curto (e ainda bem). No final, só o amor prevalecerá.

Abraço.

Sempre disse...

Denota-se uma cristalinidade nas gotas, que querem ter forma de amor. Beijinhos ;)

SiulM disse...

Gostei muito!!
A água é forte e lava tudo. Acaba sempre por deixar apenas o que deve ficar.