quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Vogando Contra Vontade

A chuva ainda cai.
Olho com suspeição o que ainda está para vir,
Sons recônditos, intricados,
Não, não os quero ouvir.
O cinzento do céu adensa a ausência,
A luz baça labuta na melancolia.
Abrando em desmesurada cadência.
Abdico do sonho em proveito de coisa nenhuma.
Grito! Não me ouvem.
Tudo o que julgava ser exacto aluiu.
Resta-me exaurir.
Partir! Não posso.
Tento renascer para a realidade teimosamente irrefutavel.
Avanço tremeluzente, sinto o corpo contra a força da corrente.
Retraio-me, sinto a lacuna.
Sentimentos em catadupa. Não os posso deter.
Despojo-me do que creio, não insisto.
Talvez me arrependa.
Mas acredito que a falha também se remenda.

Vieira MCM

1 comentário:

Luís Marques disse...

A chuva e a falha... tudo coisas necessárias.
Grande evolução, neste texto, que todos nós deviamos ler.